


QUEM
SABE NÃO PERDOA
Santiago
Argüello

O
homem aproximou-se do espinheiro.
Ergueu a mão para tocá-lo e um
"ai!" de dor brotou de seus lábios.
Um rubi de sangue brilhou no seu dedo.
O homem limpou o sangue e disse fitando o espinheiro:
- Eu te perdôo!
Admirei e louvei dentro de mim aquele homem
que possuía o doce do saber perdoar.
E aconteceu que veio outro homem.
Parou junto ao espinheiro, ergueu a mão
para tocá-lo, e o espinheiro o picou.
Mas o homem limpou em silêncio a ferida,
contemplou com amor o espinheiro, e não
disse "Eu te perdôo!".
Tive, então, este pensamento: "O
primeiro homem era um santo: sabia perdoar!
Este outro não sabe!".
Mas o meu Senhor, interrompendo a minha cisma,
disse: - Quem não sabe é você!
- Como, Senhor? Então aquele homem...
- Sim, é um santo, porque perdoou quando
foi preciso.
- E o segundo?
- É mais santo ainda, porque não
tem necessidade de perdoar.
E como eu ficasse perplexo, com o olhar perdido
na incompreensão e na dúvida,
o Senhor me disse:
- O espinheiro fere, porque é espinheiro.
Ainda que ele quisesse jamais poderia perfumar.O
primeiro homem sentiu a dor da picada, e como
não sabia nada, atribuiu a culpa ao espinheiro.Mas,
como era puro de coração, perdou.
O outro homem sentiu a mesma dor, mas como sabia
que todo espinheiro fere, pois o espinheiro
é assim, não se sentiu ofendido.
E como nada tinha a perdoar, não perdoou.
Desde então sofro menos quando os espinhos
me ferem. Dói-me na alma a ferida, mas
minha alma sabe que não há ofensa.
E como não há ofensa, não
há perdão.
É assim que do meu peito brota um piedoso
amor pelo espinho que não chegou a ser
flor.
Meu sofrimento se transforma em ternura porque
já aprendi a não perdoar!

Mensagem
recebida e enviada por Meg.


