Pouso

 

 

POUSO

J. G. de Araujo Jorge

 

 

Pervaguei muito tempo a procura de um pouso
como alguém que batesse em vão de porta em porta
- meu olhar, parecia perguntar ansioso:
quem me dá sua mão?... quem minha alma conforta!

Caminheiro sem rumo, a alma já quase morta,
via ao longe o caminho intérmino e sinuoso...
- (quanta coisa afinal na vida se suporta
antes de conseguir-se um pouco de repouso!)

Minha vida era assim... - uma estrada vazia...
E eu caminhava a olhar buscando o que surgisse
a frente, - e ao meu redor tudo aos poucos fugia...

Até que te encontrei ! ... E se não te encontrasse,
- talvez há muito tempo eu já não existisse !
- talvez que há muito tempo eu já não caminhasse !