ERA
UMA VEZ UM POETA
*Poeta
Londrino*
"Quando tu, Amor, palmilhares a estrada da minha
vida,
Sorverei
da tua alma o néctar das revelações,
Enfeitarei
o infinito com o Arco-Íris da Esperança
E
mergulharei na Eternidade das nossas amadas emoções."
(*Fanny*)
Era uma vez um Poeta...
Como
tantos outros, havia este, sonhador,
a
investir ilusões, a colher desalento,
a
gerir quimeras em estranha barganha com o destino.
Trazia a sede dos amores desencontrados,
buscando
a Fonte das Infinitas Ternuras,
que
sua alma lhe dissera existir algures,
num
etéreo caminho de encantadas fragrâncias,
onde o horizonte se espalha em seu repouso.
Segue o Poeta resoluto a sua jornada
a
palmilhar a mágica estrada,
cores
múltiplas a adornar-lhe os passos,
trôpegos
como o bailar dos seus sentimentos.
Vislumbra o Poeta intensa luz em sua senda,
detendo-se,
cauteloso, em surpresa e êxtase...
Em plácida e aconchegante harmonia,
no
embalo de esvoaçantes melodias,
encontra
o Poeta a senhora da Sagrada Fonte.
O Poeta a contempla, solene...
Uma
doirada visão invade-lhe os sentidos,
assaltando-lhe
os mais secretos sonhos,
tempestuosa
profusão de recônditos desejos...
"Não digas nada, Poeta,
eu
bem sei o que procuras...
os
teus olhos mo dizem,
o
teu jeito sereno de ser...
que
tudo revela",
assim
lhe diz aquela dama.
O
Poeta perde-se no profundo azul do seu olhar,
e
uma redentora voz avança-lhe na alma.
"Vejo-te há muito
caminhar na brisa das emoções,
onde
vagueiam meus pensamentos na espiral do tempo...
acompanho
tua obstinada procura pela essência do absoluto
amor.
"Ah, Poeta, não consegues ver?
Muitos
antes de ti andaram nesta busca.
Mesmo
agora, se olhares o firmamento, as estrelas,
a
imensidão do mar e o esplendor da lua,
verás
a infinda dor dos corações amantes,
a
entoar cânticos de mágoa e esperança.
"Não, Poeta, desta fonte não beberás!
Não
to posso permitir...
Não
podes aqui amainar a tua sede de infinito,
pois
é esta sede que move a tua própria vida,
que
faz pulsar o teu apaixonado coração de
poeta.
"Tua
missão, Poeta, é levar o teu canto a toda
a parte,
transcenderes
além do perceptível,
desde
o mais remoto sentimento da tua alma,
sempre
de alma em alma,
a
todas as almas do universo.
"Se matas a tua sede, matas-te a ti também...
E
mancharás com a tua humana condição,
a
cristalina pureza da minha Fonte das Ternuras.
"Vai agora, Poeta, retorna ao mundo,
agarra-te
nas asas dos nossos adorados ventos,
renova
tuas forças nas amadas cores do Arco-Íris,
que
aqui eu sempre estarei a velar por ti,
tal
como me queiras em teus sonhos,
doirada
Musa, alento inesgotável da tua arte...
"Agora
sabes que nossos sagrados destinos
entrelaçam-se
no fulgor dos teus sublimes versos,
no
leito encantado do nosso incorpóreo amor."
E o Poeta, como tantos outros, renovado,
acalenta
agora a alma na saudade da esperança,
e
a vida lhe sorri com as mágicas cores da Sabedoria.
(Londres,
8 / Fevereiro / 2003)

Com muito carinho,
Fanny
Formatado
pela Amante da Lua Fanny


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