Paralelas

 

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*Poeta Londrino*

Ousei um dia profetizar a tua chegada,

e à tua espera fundei ao vento a minha terra de sonhos,

cultivando as mais belas flores da minha alma.

 

 

Buscando a tua presença entre as estrelas,

na vastidão do universo e no concerto da natureza,

compreendi então esse estranho feitiço do destino:

éramos linhas paralelas condenadas

a um distante encontro no infinito.

O tempo encarregou-se de ceifar ilusões,

arrancando as raízes de sentimentos cristalinos,

de alguma forma de amor... inefável...

 

E quando amordaçadas e humilhadas

todas as vozes do coração se calaram,

um misterioso clamor em minha alma

preservou a esperança messiânica da tua chegada.

 

Surges então nessa luminosidade multicor,

envolta numa canção suave e fugidia,

num manto de grandeza e ternura,

a cumprir a minha secreta profecia.

 

A tua mão enfim abre as portas de um castelo junto ao mar

e soberana assumes o lugar que sempre foi teu,

apaziguando a luta entre o real e a fantasia.

 

Reinarás agora em meu pais das quimeras,

enquanto prossigo minha viagem ao infinito,

e continuo ainda à tua espera,

no lugar onde nossas paralelas se hão-de encontrar...

 

*Poeta Londrino*

Zé Carlinhos

Londres, 13 Dezembro 2002

 

Formatação da Amante da Lua, Fanny,

para o amigo Zé Carlinhos - *Poeta Londrino*

com um carinho especial.

"Vivam os poetas que nos oferecem estas belezas de alma!"